Contos de Ninar

Meus onze anos

meus 11 anos

Quando eu tinha 11 anos eu não sabia se ainda era criança ou se já era adolescente. Meus priminhos mais novos me chamavam para brincar de umas brincadeiras que eu estava começando a achar um pouco chatas e os meus irmãos que eram mais velhos do que eu não me deixavam conhecer as brincadeiras novas que só eles podiam brincar, pois me achavam um pirralho.

Então eu comecei a me isolar num mundinho só meu. Aliás, só meu e do meu Smartphone. Com ele na mão, eu me achava o tal, o bam-bam-bam, o cara mais fera em todos os joguinhos que eu baixei.

Meus pais ficavam me chamando toda hora para comer, tomar banho, estudar, jogar cartas com eles, passear… mas eu achava tudo um saco!

Na escola eu até tinha alguns amigos, todos da minha idade, que pensavam igual a mim e me entendiam muito mais que meus pais. Ali sim eu me sentia importante, pois eles ficavam me pedindo dicas dos jogos e eu até cobrava para passar de fase nos joguinhos deles.

Só que eu comecei a perceber que algumas amizades não eram verdadeiras e alguns garotos, além de só se aproximarem de mim por interesse, ainda ficavam caçoando de mim por trás, me dando tapinhas e empurrões nos corredores e eu comecei também a ficar sozinho na escola.

Foi aí que conheci dois irmãos que tinham vindo transferidos de uma escola do interior, um de 10 e outro de 12 anos. Me viram lanchando sozinho no recreio e pediram para sentarem perto de mim. Achei os meninos meio estranhos no começo, pois antes de lancharem, deram as mãos e rezaram agradecendo por aquele alimento. Falei nada, só fiquei observando…

Depois eles me ofereceram biscoito e perguntaram se eu gostaria de brincar com eles, tinham algumas tampinhas de garrafa que faziam de botão e uma bolinha de papel que faziam de bola, achei meio bizarro, mas como não tinha nada melhor para fazer, aceitei. E não é que foi super divertido brincar com eles? Até que eles eram legais.

Aos poucos fomos ficando mais amigos e eu aprendi com eles umas brincadeiras simples e bem diferentes dos eletrônicos que eu estava acostumado a brincar. Também conversávamos sobre várias coisas e acabei descobrindo que gostava de fazer muitas outas coisas além de jogar no celular.

Um dia me convidaram para o aniversário da irmã deles e, apesar de eu não gostar de festa de menininha, curti bastante, comi e me diverti muito! Nunca tinha ido em uma festa na fazenda, onde morava o avô deles.

O mais legal foi conhecer a família dos meus amigos, percebi que seus pais faziam as mesmas coisas que os meus, mas os meninos reagiam de forma diferente, não reclamavam, nem respondiam com malcriação, pelo contrário, obedeciam com uma alegria que eu não conhecia, pois se amavam muito e fazer seus pais felizes era mais importante do que fazer suas próprias vontades.

Essa amizade de infância, me fez olhar diferente para tudo o que eu estava passando naquele momento e foi fundamental para eu ser a pessoa que eu sou hoje. Feliz com as coisas simples e amigo da minha família!

Sheila Jorge

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